NOTÍCIA | Como a pandemia impacta o cenário artístico e cultural?

A pandemia causada pela Covid-19 ainda traz inúmeros desafios para todos os setores do mercado global, que, em níveis diferentes, ainda sofrem os impactos decorrentes da crise sanitária. A situação também afeta o contexto de produções culturais e artísticas contemporâneas, ao perpassar constrangimentos que foram acentuados no cenário epidemiológico. Para debater o tema, o projeto  Chá das Cinco e Meia recebe a professora de sociologia na Faculdade de Letras e Humanidades da Universidade do Porto (Portugal), Paula Guerra, para dialogar sobre o assunto. O encontro acontece nesta quarta-feira, 23, no auditório do Centro de Pesquisas Sociais (CPS), às 17h30.

Com a temática “Um loop de incertezas: Os impactos da pandemia da Covid-19 na produção cultural e artística contemporânea”, a pesquisadora aponta que em Portugal, o trabalho criativo em torno da música popular não tem sido objeto de um investimento científico. Neste cenário, a partir de entrevistas semiestruturadas, ela mapeou as desigualdades e os impactos da Covid-19 no trabalho criativo de 40 músicos portugueses – fruto de uma investigação transnacional em curso, que envolve Portugal, Reino Unido e Austrália.

“Na generalidade, as pesquisas têm revelado um paradoxo inelutável face ao trabalho criativo musical: se, por um lado, esse mercado de trabalho apresenta abertura cultural, dinamismo e cosmopolitismo, por outro, revela padrões de desigualdade em termos de gênero, precariedade de vínculos, informalidade contratual, atipicidade de tarefas, flexibilidade de papéis”, enfatiza Paula.

Na pesquisa, ela aponta que, no cenário mundial, os governos impuseram restrições à vida social, de modo a controlar a propagação da doença. Nesta perspectiva, diferentes tipos de restrições foram adotadas, passando por vários graus de distanciamento e isolamento social, proibição ou restrição de ajuntamentos sociais, viagens, atividades de lazer e desportivas, e até mesmo a ida à escola ou ao trabalho.

“O impacto destes tipos de controle e medidas de emergência na liberdade individual e na democracia, ainda por apurar, deverá continuar. Muitas medidas terão de se manter a longo prazo, algumas mesmo tornando-se parte do ‘novo normal’ para estes músicos, levando a reequacionar conceitos chave, como, risco, medo, pânico, crise e confiança”, destaca.

De acordo com o professor e pesquisador do Departamento de Ciências Sociais, Felipe Maia, é um privilégio receber a professora Paula Guerra, que tem uma trajetória muito consolidada de atuação no campo da sociologia da cultura e da juventude, com grande número de publicações e colaborações em projetos internacionais. “O tema que ela traz para o ‘Chá’ é altamente relevante ao dar visibilidade às condições de incerteza e de desigualdade que marcam a produção cultural, tema que ela investiga a partir do campo da produção musical em Portugal. Será sem dúvida uma ótima oportunidade para os pesquisadores da UFJF conhecerem seu trabalho e prospectar colaborações.”

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Link da notícia: https://www2.ufjf.br/noticias/2022/11/22/como-a-pandemia-impacta-o-cenario-artistico-e-cultural/


NOVO ARTIGO | Barulho! Vamos deixar cantar o Fado Bicha. Cidadania, resistência e política na música popular contemporânea

Notando a desadequação do entendimento da música como mero fenómeno superficial de uma expressão sociopolítica, mostraremos, neste artigo, como os Fado Bicha enfatizam a importância da performatividade numa improvável resistência fundada no fado. Na verdade, procuramos demonstrar como as performances e as canções do Fado Bicha se assumem como produtores de denúncia e de protesto e, sobretudo, são (re)criadoras de temáticas/problemáticas de género. A sua insurgência manifesta na realidade portuguesa, ao provocar-lhe agitação e mudança pela leitura que dela fazem, constitui-se em elemento integrante de uma identidade coletiva reconfigurada pelo artivismo. Assim, procurou-se romper com o facto de a música, enquanto meio que atinge um elevado número de pessoas a uma escala transglobal, ter sido ainda pouco estudada no seu impacto político, isto é, como instrumento de refutação de hegemonias, de resistência e de articulação de novas alternativas - e, justamente, onde menos se esperava - no fado.

GUERRA, Paula (2022). Barulho! Vamos deixar cantar o Fado Bicha. Cidadania, resistência e política na música popular contemporânea [Noise! Let Fado Bicha sing. Citizenship, Resistance and Politics in Contemporary Popular Music]. Revista de Antropologia (São Paulo, Online), 65(2), e202284, https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.2022.202284. ISSN 0034-7701, ISSNe 1678-9857. URL: https://www.scielo.br/j/ra/a/q9STJNdfqhTPr9sNCHyb3GL/?lang=pt

Fotografias de Paulo Andrade e Nuno Pinheiro
https://www.fadobicha.com/


NOVA PUBLICAÇÃO

NOVA PUBLICAÇÃO
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HIKIJI, Rose Satiko Gitirana; GUERRA, Paula & GRUNVALD, Vi (2022). ReXistências musicais entre arte e política. Apresentação do Dossiê. Revista de Antropologia (São Paulo, Online), 65(2), e202284, https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.2022.202284. ISSN 0034-7701, ISSNe 1678-9857. URL: https://www.scielo.br/j/ra/a/gs4WWVDqp8SrvF96ZFqKV9D/?lang=pt#
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O que têm em comum o musicar (Small, 1998) de Apeshit, o videoclipe do casal de artistas estadunidenses Beyoncé e Jay-Z, as performances musicais de João do Crato no interior do Ceará, um projeto entre uma cantora lírica, um musicólogo e um líder indígena na Colômbia, o álbum AmerElo do rapper paulistano Emicida, o artivismo musical de Linn da Quebrada e a música de imigrantes africanos em São Paulo? À primeira vista, nada. Mas neste Dossiê estes fazeres musicais servem todos ao mesmo intuito: são formas de reXistência.

Créditos da fotografia: Jota Mombaça
Fonte da Fotografia: https://www.instagram.com/p/Ccp2zGgonjb/


Vol. 5 | N.º 1

Apresentação

Paula Guerra e Lígia Dabul

Diversidade, (i)materialidade e prospetivas sociológicas

 

Artigos

Devemos apelidá-los de estudos cine-culturais? O cine-mundificar da música popular e dos estudos juvenis

Michael MacDonald, João Lima

Este artigo explora a investigação-criação cinemática, ou o que chamo de cine-mundificar. Com efeito, o cine-mundificar tem o potencial de contribuir para uma prática de investigação única para a música popular e para os estudos juvenis, áreas da vida cultural caraterizadas pela sua abertura e inovação com os novos média. Ter consciência destas oportunidades significa aproveitar as tecnologias disponíveis atualmente. Mas existe um obstáculo. A produção cinemática deve juntar-se com a investigação. Os métodos tradicionais de pesquisa cinemática, devido aos seus custos, dificuldades com a revisão de pares e a falta de apoio institucional, não têm sido aceites pela academia. Tem sido a antropologia a ciência que mais tem feito para desenvolver a investigação cinemática através de filmes etnográficos. Os novos desenvolvimentos no ecossistema do cinema digital têm sido pouco explorados até ao momento. O ecossistema do cinema digital, emergente desde 2009, é composto por câmaras digitais relativamente baratas e smartphones, por plataformas digitais grátis de nível profissional, uma rede mundial de festivais de filmes e a transformação da maioria dos cinemas artísticos em projeções digitais. Tal significa que o cinema digital feito num computador portátil pode ser exibido em qualquer lado. Estamos no melhor momento possível para se fazer cinema académico, mas então por que razão os académicos o fazem tão pouco?
 

Identidades, fronteiras e mestiçagens culturais. O caso dos residentes de Gibraltar

Sandra Borges Gilotay e Olga Magano

A construção das identidades é um processo complexo e contínuo que inclui experiências individuais e coletivas. Neste artigo, analisa-se a complexidade cultural e identitária dos residentes de Gibraltar por meio de um estudo exploratório e qualitativo. Trata-se de um território único no continente europeu e com certos vínculos coloniais devido ao seu passado de conquistas de disputas fronteiriças entre Espanha e Inglaterra. Além da comprovação de distintas origens culturais e geográficas, foi possível perceber, uma dinâmica intercultural entre os seus habitantes, em que a pluralidade e a mestiçagem de culturas conjugam um papel importante no processo construtivo e identitário dos seus residentes, permitindo não só uma integração no seu meio social, mas uma reconfiguração de suas pertenças, despertando um sentimento comum de convivência, além do reconhecimento de seus próprios limites culturais.
 

Extrema-direita, xeno-populismo e colonialidade: discursos de ódio e colonização do imaginário no presente

Denise Osório Severo e Paula Guerra

A expansão de movimentos de extrema-direita constitui um fenômeno global que tem se traduzido no surgimento e no fortalecimento de inúmeras organizações, partidos e especialmente na conquista do poder em muitos países da Europa, América do Norte e América Latina. Neste artigo, procuramos dar conta dessas desse fenômeno, primeiramente, através da apresentação e reflexão das diferentes conceções teóricas que têm sido tidas a este respeito, nomeadamente dos distintos conceitos conexos utilizados pela academia, tais como, populismo, fascismo, extrema-direita ou neoliberalismo autoritário. Num segundo nível, vamos focar a nossa atenção na Polônia e Portugal. No caso da Polônia, pelo seu caráter conjuntural reconhecidamente populista, governado desde 2015 pelo Partido Lei e Justiça. No caso de Portugal, pelo seu caráter oposto, sob gestão do Partido Socialista, recentemente reeleito com 60% dos votos, mas que vivencia outrossim fortalecimentos de movimentos de extrema-direita. Respeitadas as particularidades socioculturais e históricas de cada qual, em ambos países eles se expressam tanto no âmbito da sociedade civil como também da sociedade política. Estas experiências revelam contra faces que, apesar das diferenças, sinalizam aproximações com a perspectivado xeno-populismo e podem iluminar a compreensão destes processos. No cenário da Polônia, a adoção de políticas institucionais e legislações contrárias aos migrantes, LGBTQIA+ e demais minorias são notáveis, assim como crescentes manifestos de movimentos de extrema-direita, ambos assentados em discursos de ódio. Por outro lado, o contexto português, ainda que governado por espectro político oposto, também vivencia processos recentes de fortalecimento da extrema-direita. De facto, o partido "Chega", representante da extrema-direita, obteve o terceiro lugar em recente pleito, marcado por tensões que envolveram discursos de ódio, xenofobia e perspectivas nacionalistas.
 

A música eletrónica ambiental: das primeiras composições musicais e experimentações sonoras às dinâmicas experimentais

Frederico Dinis

Tendo como ponto de partida a definição de Brian Eno para a música eletrónica ambiental este primeiro artigo procura construir uma possível arqueologia deste género com recurso à escolha de um conjunto de autores e de trabalhos, enquadrados desde as primeiras composições musicais e experimentações sonoras do final do séc. XIX e início do séc. XX, até às dinâmicas experimentais, de meados do séc. XX, que desafiam o próprio conceito de música, abrindo assim novos caminhos ao experimentalismo sonoro. A ideia transversal ao desenvolvimento deste género é o de que a música eletrónica ambiental parte de uma tentativa de usar a forma do som como o primeiro plano, ao invés do recurso a vozes melodia ou qualquer estrutura de música clássica ou pop. Mas, apesar da existência de diversas antologias e vários artigos académicos e manifestos sobre a música eletrónica ambiental, este subgénero da música eletrónica permanece tão evasivo e indeterminado, como a sua origem. A música eletrónica ambiental é assim examinada como uma visão entre muitas, como um género e um estilo musical, sendo também discutido o seu aparecimento enquanto termo (ambient) e enquanto música que visa induzir a calma e um espaço para pensar.
 

Novas pedras nos camynhos de Walla Capelobo

Carolina Cerqueira Correa, Malandro Vermelho e Walla Capelobo

Este é um ensaio-encante, uma escrita-reza, caminhada por tempos-espaços, experimentando pensar com. Pensar com a artista e pesquisadora e escritora Walla Capelobo, partindo de matrizes ancestrais de falar e pensar e escrever. Pensar com palavras e corpos e gestos, a escrevivência de ser sujeita de pesquisa, corpa que é e produz conhecimento, na contramão do mundo colonial. Ensaio feito em bando, com seres visíveis e invisíveis, humanos e não-humanos, caminhando entre Congonhas e Matias Barbosa e Juiz de Fora, cidades de Minas Gerais. Nossa proposta coloca nossos corpos em jogo, pois com nossas epistemologias das macumbas, palavra é pensamento, é corpo. Escrever então é movimento, ação. Rever a caminhada de Walla, é rever a caminhada com Walla. Resenhar com Capelobo é conversar com sua corpa e com sua palavra. Com ela rezamos um tempo grande, histórico, cósmico, onde pensar é (re)criar. Experimentamos sua lama, sua terra, sua mata, sua estrada, seu viver. Como? Com. Cocriando com a Nossa Senhora do Rosário, com os Arturos, e outras formas encantadas de atravessar o mundo e criar terreiros de saber e cura.
 

K-pop. Os reflexos do hibridismo cultural na identidade e na música popular coreana

Camila Alonso Milani

O presente artigo procura analisar como o K-pop, (sub) gênero musical nascido na Coreia do Sul, é capaz de retratar reflexos de hibridismo cultural na música pop e na identidade sul-coreana. Para tal, foi realizado levantamento de fatos e dados históricos que demonstrassem a supressão identitária cultural sofrida pelo povo coreano ao longo dos séculos, até a sua consolidação como nação independente. Depois, a partir do contexto pós-guerra, é feita análise da influência norte-americana na trajetória do país na música e na construção de sua cultura pop. Por fim, investiga-se o papel de todas estas interferências na solidificação da identidade sul-coreana, bem como o papel da globalização na instauração da subcultura K-popper e da nova posição do país peninsular perante o mundo.
 

Registos de Pesquisa

Manifesto imagético para futuros possíveis - Um estudo etnográfico do concurso #THEWORLDWEWANT

Diego Soares Rebouças

Sob os auspícios de join the world's biggest conversationa campanha #UN75apresentou desafios globais contemporâneos em forma de imagens fotográficas. Celebrando os 75 anos de existência/atuação das Nações Unidas, o Agoralançou o concurso #TheWorldWeWant, que motivou os usuários da rede a postarem fotografias que representassem anseios para as gerações futuras. À pesquisa, em andamento, interessa adotar uma etnografia visual/digital que aborde os aspectos de representatividade nas operações sistematizadas do olhar, que passa pelo filtro da cultura. Metodologicamente, trabalharemos na análise das fotografias finalistas do concurso (75 imagens). Por meio da interpretação visual categorizaremos as imagens em grupos temáticos. A hipótese é a de que o concurso seja um sintoma da representação das necessidades globais, expressas por meio dos instrumentos da cultura visual. 
Recensões/Resenhas
Recension of the Marie Buscatto's Book, Women in Jazz: Musicality, Femininity, Marginalization
Deniz Ilbi
Marie Buscatto is a professor in sociology at the University of Paris 1 Panthéon-Sorbonne in France, and her recently published bookWomen in jazz: Musicality, femininity, marginalizationinvestigates the invisible discrimination against women musicians in the French jazz world and how women have thrived professionally despite these circumstances. The work was first published in French by CNRS Editions in 2007, and later reprinted in paperback, in 2018, with the author's note "(almost) nothing has changed". 

CHAMADA DE ARTIGOS | CAIANA

DOSSIER CAIANA #22

Eco-sensibilidades. Artes, feminismos y sus intersecciones con la naturaleza en la contemporaneidad

Eco-sensibilidades. Artes, feminismos e a interseções com a natureza na contemporaneidade

Coordinadoras / Coordenadoras:

Paula Guerra (Universidade do Porto, Portugal)
Cláudia de Oliveira (Escola de Belas Artes, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)

Consultar CALL aqui http://congreso.caia.org.ar/caiana/


Vamos and Let's Go! 26 de Agosto

Vamos and Let's Go!
Online + In Person
26 August 2022
Entrar na reunião Zoom
ID da reunião: 973 9935 0792
Senha de acesso: 778014

TODAS AS ARTES | TODOS OS NOMES (VOL. 2)

Já se encontra publicado o volume 2 referente ao Livro de Atas Todas as Artes | Todos os Nomes, organizado por Paula Guerra.

 

Design: Rui Saraiva

Artwork: Esgar Acelerado

 

Link para download: https://drive.google.com/file/d/1kaKHm9ZMIIU8oARLqdVUy3x1QHUw-LI0/view?usp=sharing


Vol.4 N.3

Apresentação

Paula Guerra e Lígia Dabul

O papel da criatividade nos ecossistemas artístico-musicais. Uma antecâmara

 

Artigos

A dimensão social e cultural de ‘platforming’ da música ao vivo: o caso da cena musical independente de Hong Kong durante a pandemia de COVID-19

François Mouillot e Sofia Sousa

Este artigo explora as implicações do aumento das atuações de música ao vivo digitalmente mediadas no contexto de uma cena cultural marginalizada, nomeadamente a cena musical independente de Hong Kong, durante a pandemia de Covid-19. Combinando a observação de eventos com entrevistas a atores-chave dentro da cena, este artigo analisa os processos pelos quais a platforming parcial das atividades de música ao vivo levou a processos de (des)territorialização e (re)territorialização - através das colaborações entre alguns atores de música indie de Hong Kong e outros internacionais -, proporcionando a reafirmação do local, através do uso de representações visuais da cidade em concertos online, bem como o fomento de formas de desvinculação digital. Por sua vez, o artigo argumenta que as análises sobre a platforming da música devem ter em consideração os efeitos sócio-culturais das plataformas digitais em contextos específicos de criação e consumo cultural, tais como as cenas culturais.

 

Ainda uma vez, Bob Dylan

Marina Marins Morettoni e Luis Carlos Fridman

O artigo discute a distinção entre a “cultura de elite” e a “cultura de massa”, a partir do Prêmio Nobel de Literatura concedido a Bob Dylan pela Academia Sueca em 2016. Nessa apreciação, aborda variados aspectos da trajetória artística de Dylan e examina a importância de sua obra na cultura musical e poética norte-americana, com destaque para a influência da literatura beat e dos trovadores que o antecederam, portadores de uma visão crítica da vida do país. Nessa abordagem, analisa o tratamento conferido por Theodor Adorno ao jazz e à música popular diante da repercussão e da densidade da obra de Bob Dylan, que lhe valeu a premiação do Nobel de Literatura.

 

‘The Great Work of Contemporary Art’ and ‘The Great Curator’: Authorial Curatorship at The Bienal de São Paulo (1985 and 1987)

Tálisson Melo de Souza

This essay focuses on two editions of the Bienal de São Paulo organised by Brazilian art critic Sheila Leiner, in 1985 and 1987, as a key context to analyse the consolidation of exhibition curatorship within the Bienal’s structure and Brazil’s contemporary art circuit. Built on the analyses of Leirners curatorial projects, I reflect on how and with which implications the conditions and repercussion of these exhibitions may indicate or have affected the direction of the Bienal, structuring its bases to the following globalisation process that circumscribed the shaping of contemporary art biennials.

 

Chameleon identity of rock music. Careers, employability, and DIY in Portugal

Ana Martins

We know that currently, time is liquid and contemporary society is constantly changing. What is new today, tomorrow will cease to be, and it is up to us as a society to develop the ability to adapt to all these transformations that occur at all levels of our social life. In this sense, the recent field of the so-called creative industries has also undergone several transformations, especially with regard to music and the different ways in which it is interpreted and socially perceived by us. If, once, recording a record was the culmination of a lot of effort and hard work of a band or performer, nowadays with the technological evolution there are a lot of artists who can do it without leaving their home. And consequently, these transformations bring with them new ways of making music, as well as new roles for artists. However, will this adaptation to new social, economic, cultural and technological contexts be an easy task? And in what way(s) do musicians or performers experience this need for transition and adaptation? Also in Portugal, artists face all these issues and changes in the music field. So, they need to find strategies that help them to develop a chameleon identity necessary to provide continuity to their professional careers in the contemporary and challenging music industry. In this paper the methodology used is based on a documentary analysis (and consequent categorical content analysis) of different media and authors based on a collection of secondary and primary information - analysis of first-hand interviews.

 

751 Dias: um ensaio de memória líquida. Abordagem da programação cultural de Paulo Cunha e Silva

Carlos Pinto

À luz da abordagem dos principais conceitos dos estudos contemporâneos de memória, estudaremos o perfil de Paulo Cunha e Silva, as suas linhas de programação cultural e as políticas culturais implementadas ao longo dos 751 dias em que assumiu o pelouro da cultura do Município do Porto. Tomaremos como corpus de análise as notícias / entrevistas / crónicas / editoriais que o evocam no intervalo temporal referido e publicadas online pelo Jornal Público e respetivos suplementos P3 e Ípsilon. Recorrendo à análise de conteúdo categorial dos dados recolhidos nestas publicações online, far-se-á um estudo exploratório que relacione as linhas mestras de trabalho transdisciplinar de Paulo Cunha e Silva com o legado de uma memória cultural e de uma cidade líquidas.

 

Jazz-Off. A revolução de Jorge Lima Barreto

André Quaresma

25 de Abril de 1974 é o dia que ficou marcado como o da revolução em Portugal, mas toda a década de 1970 transporta o sentimento revolucionário. Esta constatação pode ser feita numa análise às diversas formas de expressão literária ou artística da década onde os discursos e temáticas espelham o sentimento dos autores e consequentemente da época. Jorge Lima Barreto destaca-se neste contexto, para além do discurso fortemente revolucionário, torna-se um dos maiores responsáveis pela introdução do Jazz em Portugal, e apresenta-o como estética de revolução, nascida das raízes africanas dos escravos americanos e apresentada ruidosamente como oposição ao colonialismo do regime. Lima Barreto cria uma estética de Jazz Conceptual, devidamente sustentada pela sua análise teórica e implementação prática num projeto denominado de Anar(quista) Band. A instrumentação vanguardista (com sintetizadores, registos concretos e pianos preparados) aliada a técnicas de composição indeterminísticas do minimalismo da Escola de Nova Yorque, a utilização dos processos orientais do budismo zen ou das viagens do psicadelismo americano, o registo áudio em lançamentos de edição bastante zelosa e o registo notacional com qualidades estéticas plásticas muito para além das notacionais; todas estas características tornam o trabalho de Jorge Lima Barreto nesta década fundamental para a compreensão da produção de estéticas experimentais de Portugal pós 25 de Abril.

 

Distanciar para compreender em tempos de crise: o cinema de ficção científica e o documentário sob o viés do estranhamento cognitivo

Deborah Lemes Ribeiro

Para a academia cabe a tarefa de abstrair, registrar historicamente, entender e suscitar reflexões, principalmente, em momentos de crise como o que vivemos no momento. Assim, apresentamos neste estudo uma tentativa de compreender como os gêneros cinematográficos da ficção científica e documentário se relacionam com este tempo pandêmico, na medida que a busca por estes gêneros tem se intensificado. Amparados por referenciais científicos, teorias basilares, apresentamos a história de ambos os gêneros, enquanto potencializadores de olhares críticos, localizando sua relação com períodos de crise. A constatação da arte, neste caso estudado, do cinema, como recurso de conscientização e transformação, está relacionada com um movimento dialético de estranhamento cognitivo, que inclui o processo de deslocamento do espectador de seu cotidiano, cujo distanciamento possibilita reflexão, ampliação e compreensão da sua realidade.

 

Registos de Pesquisa

Repensar as estratégias de literacia mediática e digital: Intencionalidade cívica aliada ao civic design

Daniela Ferreira da Silva

Nesta breve reflexão pretendemos debruçar-nos sobre as intervenções pedagógicas de literacia mediática e digital. É certo que o ambiente digital facilita a participação cívica, na medida em que oferece espaços de expressão política e artística e dá luz às experiências pessoais, mas peca, por vezes, em efetivar uma participação cívica quando se promove uma leitura espetacularizada e superficial da realidade. Numa altura em que vemos brotar centenas de manifestação juvenis nas ruas e nas redes sociais contra a inação política face à crise climática, é necessário que as intervenções pedagógicas sejam aplicadas com um olhar atento no impacto que terão fora da sala de aula. As intervenções devem seguir motivações humanistas, promovendo o contacto ativo com as comunidades e o bem comum.

 


COMbART: Art, Activism and Citizenship. Utopias and Imagined Futures. Programa | Programme

2022 – GUERRA, Paula; CAMPOS, Ricardo & PUSSETTI, Chiara (2022) (Eds.). COMbART: Art, Activism and Citizenship. Utopias and Imagined Futures. Programa | Programme. Porto: Universidade do Porto-  Faculdade de Letras [University of Porto. Faculty of Arts and Humanities]. ISBN 978-989-9082-26-7. URL https://eu-central-1.linodeobjects.com/evt4-media/documents/Programa_Programme_combART__2022_27.05.pdf


COMbART: Art, Activism and Citizenship. Utopias and Imagined Futures.

2022 – GUERRA, Paula; CAMPOS, Ricardo & PUSSETTI, Chiara (2022) (Eds.). COMbART: Art, Activism and Citizenship. Utopias and Imagined Futures. Livro de Resumos | Book of Abstracts. Porto: Universidade do Porto-  Faculdade de Letras [University of Porto. Faculty of Arts and Humanities]. ISBN 978-989-9082-25-0. URL https://eu-central-1.linodeobjects.com/evt4-media/documents/Resumos2021.pdf