VI ENCONTRO INTERNACIONAL LUSÓFONO

TODAS AS ARTES | TODOS OS NOMES

ENTRE RUÍNAS E NOSTALGIAS. ARTES, PERIFERIAS, IDENTIDADES E COLAPSOS

 

SUBMISSÃO DE RESUMOS

De 10 de novembro a 15 de março de 2026.

Website: https://www.todasasartes.pt/

E-mail: [email protected]

 

DATAS

13 e 14 de julho de 2026

 

LOCAIS

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

 

Reunindo pesquisadores brasileiros, portugueses e de outras nacionalidades, o VI Encontro Internacional da Rede Todas as Artes | Todos os Nomes, que terá lugar na cidade do Porto, nos dias 13 e 14 de julho de 2026, propõe refletir sobre o lugar da cultura popular e das estéticas do “mau gosto” nas culturas contemporâneas. Partindo das expressões populares como o pimba e o brega enquanto exemplos acabados, este encontro convida à realização de uma análise crítica daquelas que são as margens sonoras, visuais e performativas da cultura e das artes na atualidade, questionando os mecanismos de distinção, de hierarquização e de legitimação artística que as definem.

Nas últimas décadas, o chamado “mau gosto” foi recorrentemente associado a uma estética popular, kitsch, sentimental e melodramática, frequentemente desvalorizada pelas elites culturais – como nos relatava já Bourdieu nos seus trabalhos seminais – mas profundamente enraizada no imaginário coletivo. Hoje, assiste-se a uma revalorização e a um revivalismo destas expressões, na medida em que artistas, DJs, produtores e curadores resgatam o periférico, o pimba, o brega, o arrocha ou o tecnobrega, transformando-o em símbolo de identidade e pertença; de memória e de nostalgia. Entre a celebração nostálgica e a reapropriação crítica, o revivalismo da cultura popular – nestes tempos de guerra e de ruínas – levanta questões sobre memória, autenticidade, classe, género, regionalismo e (de)colonialidade do gosto. Desta feita, este Encontro propõe um debate plural e interdisciplinar sobre estas expressões, convocando os olhares da sociologia, da antropologia, estudos musicais, estudos culturais, da comunicação e das artes performativas, entre outros.

O fulcro está na necessidade de pensar o pimba, o periférico e o brega não como anomalias, mas como dispositivos de memória e de resistência, formas de expressão que revelam as contradições da modernidade tardia, da globalização e das hierarquias do gosto. Então, a estética do “mau gosto” surge, aqui, como uma linguagem de subversão, ou seja, como um espaço onde o excesso, o sentimentalismo e a ironia desestabilizam fronteiras entre o erudito e o popular, o urbano e o rural, o nacional e o transnacional.

Desta feita, o evento reunirá pesquisadores e criadores de diversas áreas — como sociologia, antropologia, filosofia, estudos urbanos, arquitetura, artes visuais, música, literatura e tecnologia — que explorem tanto as culturas populares lusófonas (pimba, brega, funaná, kizomba, kuduro, sertanejo, fado popular, entre outras) quanto os seus revivals e recontextualizações no cinema, nas artes visuais, na moda, na internet e nas culturas juvenis. Então, dando continuidade à missão da Rede Todas as Artes | Todos os Nomes, este VI Encontro Internacional incentiva abordagens inovadoras e críticas que cruzem a arte, a ciência e a sociedade do Norte ao Sul Global num ímpeto (contra) (de)colonial.

 

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